“Proibição de sacolas plásticas e canudos é medida inconveniente e exagerada”

“Proibição de sacolas plásticas e canudos é medida inconveniente e exagerada”

Fonte: Gazeta do Povo

O Canadá, acompanhando o precedente estabelecido pela União Europeia, está prestes a entrar para a lista de países onde o uso de objetos descartáveis de plástico foi proibido. Apesar de o governo não ter especificado quais itens serão considerados ilegais em 2021, cogita-se proibir “garrafas, sacolas plásticas e canudinhos”, de acordo com o jornal The Guardian.

Primeiro, eles vieram atrás das sacolas. Depois, vieram atrás dos canudos. Mas, em vez de procurar outros produtos de uso comum para proibir, talvez devêssemos analisar o impacto real dessas regulamentações.

Claro que a proibição dos objetos plásticos não está restrita apenas à Europa e Canadá.

As sacolas plásticas foram proibidas na Califórnia e Nova York, bem como em várias cidades norte-americanas. As proibições atingem geralmente os supermercados e outras empresas que dão sacolas para que os consumidores carreguem os itens comprados.

As proibições são propostas como uma forma de reduzir o desperdício e a poluição, obrigando os norte-americanos a usarem sacolas reutilizáveis quando forem às compras.

Mas o fato é que essas proibições não são apenas inconvenientes; elas também têm efeitos positivos questionáveis ao meio-ambiente – e talvez na verdade até estejam piorando o problema.

Os muitos usos das sacolas plásticas
Um estudo recente, realizado pela economista da Universidade de Sydney Rebecca Taylor, mostrou que a proibição das sacolas plásticas muda o comportamento das pessoas, isto é, as pessoas usam menos sacolas plásticas à medida que elas não estão mais disponíveis.

Mas as pessoas não abandonam o uso de sacolas plásticos como um todo. Em vez de reutilizarem as sacolas plásticas como saco de lixo, por exemplo, os consumidores compram sacos de lixo para compensar a falta de sacolas plásticas.

Em regiões onde as sacolas plásticas são proibidas, ouve um aumento na compra de sacos de lixo. Esses sacos geralmente são mais grossos do que as finas sacolas e, por isso, consomem mais plástico.

“O que descobri foi que a venda de sacos de lixo explodiu depois que as sacolas plásticas foram proibidas”, disse Taylor numa entrevista para a National Public Radio. “Assim, cerca de 30% do plástico eliminado pela proibição das sacolas volta na forma de sacos de lixo mais grossos”.

Além disso, a proibição das sacolas plásticas provoca um aumento no uso de sacos de papel – gerando, de acordo com o estudo, cerca de 36 mil toneladas de lixo de papel por ano.

Talvez pareça uma troca justa. Afinal, sacos de papel são biodegradáveis, certo?

Sim, mas o processo de fabricação deles ainda é bastante intensivo e há indícios de que os sacos de papel são, na verdade, mais nocivos ao meio-ambiente, de acordo com alguns estudos.

Não é de se surpreender, pois, que alguns Estados-babás mais intervencionistas estejam querendo proibir, ou ao menos restringir, o uso de sacos de papel também, só por garantia.

Quanto às sacolas reutilizáveis boas para o meio-ambiente, estudos descobriram que elas geram poucos benefícios ecológicos. Pior, elas geralmente são extremamente anti-higiênicas.

Canudinho: o inimigo da vez
As sacolas, claro, não são os únicos objetos de plástico dos quais as cidades estão tentando se livrar. Uma cruzada ainda mais inútil, contra os canudinhos, tem ganhado força.

A proibição dos canudos, que teve início em Seattle e se alastrou para outras cidades, nasceu de uma pesquisa informal realizada por uma ativista de nove anos de idade e pela ideia equivocada de que os Estados Unidos estão entulhando os oceanos de plástico.

Mais uma vez, a proibição é ineficiente e inútil. Ela acaba sendo pouco mais do que um inconveniente para aqueles que agora usam canudos de papel úmidos, com gosto de toalha molhada.

Claro que há leis e pequenos gestos de tirania piores do que a proibição das sacolas plásticas. Ainda assim, é irônico que uma utopia “progressista” como a de San Francisco esteja travando uma guerra contra as sacolas plásticas, planejando uma proibição total para o futuro próximo, mesmo a cidade estando atulhada de lixo, agulhas e fezes humanas.

Nosso zelo em resolver os problemas de Primeiro Mundo se dá à custa dos problemas recorrentes do Terceiro Mundo.

Dito isso, os norte-americanos vivem numa sociedade rica, na qual podemos nos dar ao luxo de fazer sacrifícios econômicos para melhorar nosso meio-ambiente. Os políticos são livres para proibir canudos e sacolas plásticas – e outras coisas – se assim o desejarem.

Mas é evidente que muitas dessas medidas se baseiam na sinalização da virtude ecológica, gerando outros problemas. Elas não são medidas eficientes para melhorar e limpar nossas comunidades.

Jarrett Stepman é colaborador do Daily Signal e coapresentador do podcast The Right Side of History.”
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