Os microplásticos também chegaram às montanhas

Os microplásticos também chegaram às montanhas
Fonte: El País
A quantidade dessas partículas nos Pirineus é similar à encontrada em Paris e nas cidades industriais chinesas

Nem as grandes montanhas se livram do plástico. Um estudo encontrou, no ponto mais remoto dos Pirineus, uma concentração de microplásticos similar à que podemos achar numa capital como Paris ou nas cidades industriais chinesas. Levadas até lá pelo vento, essas partículas podem percorrer vários quilômetros até cair, arrastadas pela chuva ou a neve. As cordilheiras, os vales e outros ambientes naturais poderiam abrigar o plástico que falta nas estatísticas.

Na estação meteorológica de Bernadouze, na parte francesa dos Pirineus, os técnicos medem a temperatura do ar, a velocidade e a direção do vento, a chuva e a altura da neve – quando existe. Mas, durante cinco meses entre 2017 e 2018, eles também registraram a quantidade de plástico que caía no solo. Os resultados foram publicados agora na Nature Geoscience. E mostram que até mesmo a essa estação, situada a 1.425 metros de altura e a 25 quilômetros do primeiro povoado digno de tal nome, chegam todo dia em média 365 partículas por metro quadrado.

“A quantidade de partículas de microplásticos encontradas ao estudarmos os remotos Pirineus está dentro do padrão encontrado numa megacidade como Paris”, diz a pesquisadora Deonie Allen, do Laboratório de Ecologia Funcional e Meio Ambiente (EcoLab, com sede em Toulouse, França) e coautora do estudo. De fato, dois estudos recentes realizados na capital francesa obtiveram um número de fibras de plástico comparativamente similar.

Das 355 milhões de toneladas de plásticos criadas em 2016, cerca de 60 milhões foram produzidas na Europa, segundo dados do setor. Naquele mesmo ano, 27,1 toneladas chegaram às usinas de reciclagem e lixões. Embora muitos materiais plásticos sejam projetados para durar anos ou décadas (como os do painel do carro e os isolantes de muitos edifícios), diversos estudos estimam que uma boa porcentagem acaba no mar – os otimistas falam em 10% da produção anual. Onde está o resto?
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