O que é verdade e o que ainda não sabemos sobre o microplástico

O que é verdade e o que ainda não sabemos sobre o microplástico
Assunto é motivo de debate mundial e ainda precisa de muita pesquisa
Fonte: GZH

O termo “microplásticos” ainda é pouco para muitas pessoas, porém seu nome vem sendo ouvido cada vez mais nos últimos anos, gerando debates em todo o mundo, visto que o assunto ainda depende de mais estudos e divide opiniões. Mas, afinal, o que são e de onde vêm os microplásticos? Como o próprio nome diz, são pequenos fragmentos ou partículas de plástico – de tamanhos microscópicos e invisíveis a olho nu: menores que 5 mm.

Segundo Edson Francisquetti, Doutor em Ciências de Materiais pela UFRGS e professor de mestrado no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFRS), pesquisadores definem a fonte dos microplásticos em 2 grupos: os primários, que seriam microesferas e pellets (grânulos de plásticos que constituem a forma principal com que as resinas são produzidas) utilizadas pela indústria, principalmente a de cosméticos e de higiene. Estes materiais estão presentes em esfoliantes, cremes dentais, sabonetes e diversos outros produtos de uso pessoal e diário.

O segundo grupo, chamado de secundários, seriam as partículas oriundas da degradação do plástico existente em objetos processados (extrusados, injetados, soprados), como sacolas, roupas, coberturas utilizadas na agricultura, garrafas, entre outros. Esta degradação ocorre de forma natural como em todos os outros materiais. Um exemplo desta decomposição plástica é a que ocorre por meio da radiação ultravioleta (UV) e outros agentes naturais.

Questionado se os microplásticos contaminam o meio ambiente, o professor esclarece:

— Sim. Eles estão presentes em todos os lugares como qualquer outra micropartícula, pois também existe “micro-metais”, “micro-madeiras”, “solventes dispersos no ar (utilizados em aerossóis)”, etc. Contudo, seus efeitos no meio ambiente estão sendo estudados e ainda não se tem uma conclusão de o quanto eles afetam ecossistemas, organismos e outros. Por isso, o tema é polêmico e requer uma pesquisa mais aprofundada para se ter uma real dimensão sobre seus efeitos no meio ambiente. Por exemplo: o formato da partícula, o tamanho e suas características químicas podem ter influência nos resultados de uma pesquisa — salienta Francisquetti.

De onde vem?

O microplástico que chega até as águas tem origem no descarte incorreto de embalagens; escape de embalagens de aterros por meio do vento e da chuva; lavagem de roupas de fibras de plástico como o poliéster; escape de matéria primária de plástico como o nurdles (pequenas bolinhas plásticas utilizadas na manufatura de itens plásticos); a pesca fantasma (quando os equipamentos desenvolvidos para capturar animais marinhos como redes de pesca, linhas e anzóis são abandonados, descartados ou esquecidos no mar), entre outras diversas fontes.

Mas eles também são liberados no meio ambiente diretamente, na forma de micropartículas, como é o caso de diversos cosméticos e produtos de higiene que levam esse plástico em sua composição. Existe ainda a abrasão de objetos plásticos maiores, como os pneus em contato com o asfalto, ou de tecidos sintéticos durante a lavagem – fontes importantes dos fragmentos. Ao chegar à natureza, produtos como garrafas, embalagens e brinquedos que não foram descartados corretamente, passam por um processo de quebra mecânica realizada pela chuva, pelos ventos e pelas ondas do mar, que fazem com que os produtos se fragmentem em pequenas partículas plásticas que se caracterizam como microplástico.

Pesquisas do Instituto Internacional para Gestão das Águas sugere que cerca de 35% dos microplásticos nos oceanos foram originados pela lavagem de tecidos sintéticos. Uma solução possível é desenvolver sistemas domiciliares que previnam que as partículas sejam jogadas no sistema de esgoto ou no meio ambiente. Existem tecnologias, por exemplo, que permitem a remoção de 97% das microfibras, conclui o estudo.

Uma das principais soluções, conforme o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), é criar uma legislação mais rigorosa e eficaz para a gestão dos microplásticos para além do controle de micropartículas nos cosméticos. Até agora, microfibras estão fora dos interesses das políticas públicas. É necessário explorar a taxação para produtos e tecidos que geram microfibras para ajudar no financiamento dos custos crescentes do tratamento dos efluentes, afirma o PNUMA.

— O maior problema que temos em relação aos microplásticos e tantas outras questões é a falta de orientação e educação das pessoas. Afinal, se eles originam-se de um descarte incorreto dos resíduos, para reduzir o volume destas partículas (que através da degradação vão gerar microplásticos) e evitar que cheguem nas águas, na terra e no ar é necessário que os indivíduos tenham a consciência de que o problema não são os plásticos, mas sim as pessoas que jogam os materiais em qualquer lugar. Devemos nos conscientizar e tratar os resíduos plásticos como a mesma seriedade que tratamos os de metais, vidros e outros. Além de reciclar e reaproveitar tais materiais para reduzir seu descarte inadequado — conclui o professor Edson Francisquetti.

A busca pelas melhores e eficazes soluções do problema mostram ser por meio de ações entre a iniciativa privada, órgãos públicos e sociedade. Este impacto só será resolvido de forma integrada, sistêmica e necessita da participação de todos. Somente desta forma será possível reduzir todo o lixo marinho e os danos que resíduos de todos os materiais provocam nos ecossistemas, na economia global, na biodiversidade e até na cadeia alimentar humana.

É evidente a importância do debate, da sensibilização e do envolvimento dos consumidores nessa problemática. Você pode cooperar com a causa fazendo a reutilização e colaborando para a reciclagem destes materiais.

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