“ Novas sacolas biodegradáveis “ no Rio? É mentira!!

“ Novas sacolas biodegradáveis “ no Rio? É mentira!!
Boletim do Instituto IDEAIS – BI, 03/07/2018

É disso que se trata. Sacola biodegradável nova no Rio é Fake! Quem anda enganando quem?

Por que legisladores e governador fazem e assinam uma lei que cria um monopólio de fabricação e fornecimento de uma resina de polietileno não biodegradável para a produção das sacolas não biodegradáveis no estado do Rio?
Por que omitem que a sacola não é biodegradável? Por que uma lei proíbe sacolas plásticas não biodegradáveis e poluentes, substituindo por sacolas plásticas não biodegradáveis e poluentes, porém de cor diferente, maiores e mais poluentes, desde que feitas com 51% de polietileno de origem renovável desde que fabricada por uma única empresa no Brasil?

A imprensa vem repercutindo entrevistas de legisladores e outras autoridades do Rio sobre as vantagens das “ novas “ sacolas “ biodegradáveis “ do estado do Rio de Janeiro.

A lei estabelece que as “ novas sacolas “ tem que conter 51% de matéria prima renovável, e devem obedecer a padrões de tamanho, cor e capacidade. E denominam as “ novas sacolas “ como sendo “ bioplásticas “.

Seguimos em frente nos esclarecimentos técnicos e de terminologia:
1) O termo bioplástico não significa necessariamente que o produto sacola seja biodegradável. Como não são as “ novas sacolas “;

2) O termo bioplástico no caso da lei do RJ está sendo usado – no nosso entender de forma errada para confundir as pessoas – pois a lei exige que elas sejam produzidas com 51% de matéria prima de origem renovável, mas isso não significa de forma alguma que as sacolas são biodegradáveis ou ecológicas;

3) Não é possível produzir uma sacola plástica contendo 49% de polietileno de origem fóssil ( derivado do gás natural ou do refino do petróleo ) misturado com 51% de material de origem renovável que não seja polietileno derivado do etanol da cana de açúcar. Perceba que tanto os 49%, quanto os 51%, são polietilenos comuns, quimicamente idênticos, e não biodegradáveis. Portanto, a “ nova sacola “ não é biodegradável, é exatamente igual às antigas, não será reciclada como as antigas raramente são, vão ficar por décadas poluindo o meio ambiente quando viram lixo, matando a vida selvagem, poluindo os oceanos e gerando os perigosos micro plásticos que já estão contaminando nossos alimentos e a água que bebemos;

4) Apenas pensando na remotíssima hipótese que os 51% fossem derivados de amido, portanto de origem renovável e biodegradável, não é possível produzir um filme plástico que vai virar sacola quando se mistura 49% de polietileno com amido. E mesmo se isso fosse possível, apenas a parte da sacola contendo amido seria biodegradável e o resto da sacola contendo polietileno não seria biodegradável, gerando os mesmos problemas.

Os fatos e a verdade :
1) As “ novas sacolas “ não são biodegradáveis e vão causar os mesmos problemas que as antigas.

2) A lei criou um monopólio no fornecimento do polietileno não biodegradável derivado do etanol de cana. Só uma petroquímica fabrica esta resina no Brasil compatível para produzir sacolas.

3) As sacolas serão maiores e mais espessas, portanto mais resinas não biodegradáveis a petroquímica vai vender e mais plástico não biodegradável no meio ambiente quando viram lixo.

4) Elas jamais serão reusadas 60 vezes como dizem alguns dos entrevistados. Elas serão reutilizadas no máximo uma vez, como são as atuais, para acondicionar lixo doméstico, e raramente serão recicladas. De todos os plásticos produzidos no mundo até hoje, apenas 9% foi reciclado, o resto, e principalmente sacolas não biodegradáveis como são as “ novas sacolas “ , estão nos aterros, lixões e no meio ambiente poluindo.

5) Estes 51% não surgiram do nada. Este % está no manual da única petroquímica que produz isso no Brasil. Página 5 desta apresentação da Braskem do grupo Odebrecht.

6) Os supermercados é que vão adorar, como aconteceu na cidade de São Paulo. Vão poder vender as sacolas como se fossem diferentes, “ novas “, “ biodegradáveis “, “ ecológicas “ , quando nada disto são. São sacolas iguais às antigas que eram distribuídas sem cobrança, mas que na realidade seus custos estavam embutidos nas mercadorias que compramos. Ou seja, o consumidor vai pagar duas vezes, uma vez pagando o preço das sacolas oculto nos preços dos produtos que compra e agora paga mais uma vez quando pede as sacolas no caixa.

7) E você vai ver como o consumo de sacos não biodegradáveis para lixo vai aumentar, para felicidade do supermercado e tristeza do consumidor. E tudo vira lixo plástico, entende?

8) Se os supermercados são tão preocupados com o meio ambiente, por que eles não se preocupam com o volume enorme de sacos plásticos que usamos para embalar frutas, legumes e verduras que compramos nestes estabelecimentos? É simples. É porque pagamos por estes saquinhos o preço do peso das frutas, legumes e verduras que compramos que são pesados junto com eles.

9) O que polui, mata e contamina é a sacola plástica não biodegradável quando vira lixo. Não importa se é feita com 51%, 20%, ou 90% de polietileno não biodegradável originada do Etanol ao invés de origem fóssil.

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